No radar do Nobel, Susan Athey mede o custo da destruição criativa

Crédito: Christopher Michel

Em 2025, o Nobel de Economia premiou Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt por explicarem como a inovação sustenta o crescimento. Parte do prêmio reconheceu a teoria da “destruição criativa”, o processo em que novas tecnologias e empresas substituem as antigas. Quando uma empresa desaparece, os empregos vão junto.

Um estudo divulgado em março de 2026 pela economista Susan Athey e quatro colegas mede quem paga mais caro a conta dessa transformação. A principal descoberta é que o impacto financeiro de perder um emprego não é igual para todos e varia de forma gigantesca dependendo de uma combinação de fatores pessoais e do mercado de trabalho.

Utilizando inteligência artificial para analisar dados de demissões em massa na Suécia, os pesquisadores descobriram que os trabalhadores mais vulneráveis são os que sofrem as maiores perdas financeiras e de longo prazo, o que significa que a perda do emprego aumenta ainda mais a desigualdade social.

Para entender o impacto de forma simples, o estudo divide os trabalhadores em grupos:

Os mais afetados (mais vulneráveis): perdem quase metade (46%) de sua renda anual logo após a demissão e enfrentam grandes dificuldades para conseguir um novo emprego, passando longos períodos desempregados. Esse grupo é formado principalmente por pessoas mais velhas, com menor escolaridade, que realizavam tarefas repetitivas (rotineiras) e que viviam em regiões rurais ou dependentes da indústria manufatureira (fábricas) em declínio.

Os menos afetados (mais resilientes): sofrem perdas irrelevantes (cerca de 6%) e conseguem se recuperar muito rapidamente. Geralmente são jovens, com ensino superior, moradores de grandes cidades e que trabalham fora do setor industrial.

Como a IA ajudou na pesquisa

Tradicionalmente, pesquisadores costumam analisar cada fato separadamente. Algo como: “Vamos ver o que acontece com quem tem mais de 50 anos” ou “Vamos ver o que acontece com quem não terminou a escola”. O problema é que, no mundo real, as pessoas são uma mistura de tudo isso, e analisar um fator isolado pode camuflar a verdade.

É aí que entra a IA. Os pesquisadores utilizaram um algoritmo avançado chamado Generalized Random Forest (Floresta Aleatória Generalizada). A IA aprendeu a calcular, para cada perfil específico de ser humano, qual seria o “tamanho do tombo” financeiro caso aquela pessoa perdesse o emprego hoje. Então, cruzou com dados massivos de cerca de 180 mil trabalhadores suecos que perderam o emprego porque suas empresas fecharam totalmente.

O estudo demonstra que, para o grupo mais vulnerável, o maior prejuízo financeiro não ocorre por aceitar um salário menor em um novo trabalho, mas sim por ter de enfrentar longos períodos de desemprego e dificuldades permanentes para reingressar no mercado de trabalho.

Embora o foco seja restrito à área econômica, os autores citam as consequências psicológicas de quem enfrenta longos perídos sem trabalho, do sentimento de perda de papel social à degradação da autoestima.

Mais sobre Susan Athey

Susan Athey tem 55 anos e é professora da Stanford Graduate School of Business, além de uma das maiores autoridades na área da economia da tecnologia. Foi a primeira mulher a receber a John Bates Clark Medal, em 2007, economista-chefe consultora da Microsoft e, de 2022 a 2024, economista-chefe da divisão antitruste do Departamento de Justiça dos EUA. Seu nome circula de novo nas previsões para o Nobel, que será anunciado na segunda-feira, 12 de outubro.

Não existe lista oficial de candidatos. Mas a consultoria Clarivate incluiu Athey entre suas citações de favoritos para este ano. Ela aparece ao lado de Hal Varian, ex-economista-chefe do Google, pela análise pioneira da economia da tecnologia da informação. A própria Clarivate avisa que a lista não pretende prever o vencedor de um ano específico.

O anúncio está marcado para as 11h45 de Estocolmo, 6h45 em Brasília. Se o nome dela for confirmado, será a quarta mulher a receber o prêmio de Economia, depois de Elinor Ostrom, Esther Duflo e Claudia Goldin.

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