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Anthropic prepara IPO com receita em alta e gastos bilionários

IPO da Anthropic revela receita de US$ 16,3 bilhões, prejuízo contábil e contratos bilionários de infraestrutura. Veja os dados e riscos do prospecto.

Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, durante o TechCrunch Disrupt 2023
Dario Amodei no TechCrunch Disrupt, em 20 de setembro de 2023. Foto: Kimberly White/Getty Images para TechCrunch — Wikimedia Commons / CC BY 2.0. Imagem redimensionada.

A Anthropic, criadora do Claude, apresentou na segunda-feira (26 de outubro) seu prospecto de abertura de capital nos Estados Unidos com forte crescimento das receitas e compromissos de centenas de bilhões de dólares em infraestrutura. O IPO da Anthropic expõe o desafio de sustentar a expansão das vendas enquanto a empresa assume despesas de longo prazo para desenvolver e operar seus modelos de inteligência artificial.

A companhia faturou US$ 16,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, ante US$ 1,2 bilhão no mesmo período do ano anterior. O prejuízo operacional caiu de US$ 2,1 bilhões para US$ 693 milhões. Já o prejuízo líquido chegou a US$ 80,7 bilhões, principalmente por ajustes contábeis relacionados a instrumentos de financiamento conversíveis em ações.

A Anthropic pretende negociar suas ações na Nasdaq sob o código ANT. O prospecto preliminar ainda não informa o preço dos papéis nem o volume da oferta. A Renaissance Capital, especializada em aberturas de capital, estima uma captação de US$ 75 bilhões, mas o valor não foi definido pela empresa.

Contratos antecipam despesas

A maior parte da receita da Anthropic vem da cobrança pelo uso dos modelos. Esse formato permite ampliar as vendas conforme os clientes incorporam a tecnologia ao trabalho, mas também deixa o faturamento sujeito a reduções no consumo.

Os compromissos de infraestrutura seguem outra dinâmica. A companhia contrata capacidade computacional com antecedência e, em parte dos acordos, precisa pagar mesmo que não utilize todos os recursos disponíveis. A Reuters destacou essa diferença ao analisar os contratos divulgados no prospecto.

Os valores descritos em sete grandes acordos somam aproximadamente US$ 637 bilhões, segundo levantamento da Kepler. O total reúne obrigações distintas: pagamentos mínimos, limites máximos de contratação e valores condicionados à entrega de capacidade. Não corresponde, portanto, a uma dívida única com vencimento definido.

A empresa também passa a combinar a contratação de serviços de nuvem com o arrendamento direto de equipamentos instalados em centros de dados dedicados. A estratégia busca melhorar os custos no longo prazo, mas exige desembolsos antes que a infraestrutura comece a gerar receita.

O prospecto alerta que a entrada de novos blocos de capacidade pode pressionar as margens. Mesmo com crescimento das vendas, as despesas podem aumentar mais rapidamente em determinados períodos. A exposição integra uma discussão mais ampla sobre o financiamento da IA e os riscos de crédito associados à expansão do setor.

Prejuízo contábil e resultado operacional

Do prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões, US$ 72,4 bilhões correspondem à atualização do valor de notas conversíveis, derivativos e outros instrumentos financeiros. A despesa cresceu principalmente porque a valorização da Anthropic elevou o valor dos direitos concedidos a investidores. O registro não representa uma saída de caixa equivalente no semestre.

A operação apresentou sinais de melhora. No segundo trimestre, a companhia registrou lucro operacional de US$ 974 milhões, após perder US$ 1,667 bilhão nos três primeiros meses do ano. A geração de caixa operacional do semestre foi positiva em US$ 3,9 bilhões, influenciada também pelos prazos de recebimento de clientes e pagamento a fornecedores.

As notas contábeis ajudam a identificar onde estão as despesas. O custo diretamente associado à receita foi de US$ 2,38 bilhões no semestre. Em relação ao faturamento, isso corresponde a uma margem bruta calculada de aproximadamente 85%.

Essa margem não inclui a maior parte dos gastos com desenvolvimento dos modelos, registrada em pesquisa e desenvolvimento, nem as demais despesas comerciais e administrativas. A análise da Lighthouse Canton destaca a diferença entre o custo de atender clientes e o investimento necessário para manter a capacidade tecnológica da empresa.

A sustentabilidade desse modelo depende também do retorno obtido pelos compradores. Em estudo publicado em outubro, a McKinsey afirma que as empresas tendem a avaliar a IA pelo custo de resultados concretos, como atendimentos resolvidos e código aceito, e não apenas pelo desempenho dos modelos em testes.

Receita inclui clientes que violaram regras

O prospecto traz uma ressalva sobre a qualidade de parte das vendas. A Anthropic estima que entre 5% e 7% da receita dos nove meses encerrados em setembro veio de clientes posteriormente identificados como infratores de suas políticas de uso ou condições comerciais.

Segundo a companhia, a detecção e a investigação dessas condutas levam tempo. A receita é reconhecida pelos serviços prestados antes da restrição ou do encerramento do acesso. A empresa espera reduzir essa participação com o reforço da fiscalização, mas afirma que o efeito sobre o crescimento das vendas é incerto.

A dependência de parceiros também aparece entre os riscos. No primeiro semestre, 48% da receita passou por marketplaces de provedores de nuvem. Além de distribuir o Claude e processar pagamentos, alguns desses grupos fornecem infraestrutura, financiam a Anthropic e desenvolvem modelos concorrentes.

Essas relações ampliam o acesso a clientes e recursos computacionais, mas expõem a companhia a mudanças nas condições comerciais e a conflitos de interesse. A segurança dos produtos também afeta sua reputação e a confiança dos compradores. A empresa já divulgou estudos sobre as dificuldades de controlar sistemas autônomos de IA.

Fundadores preservam poder após o IPO

A abertura de capital não transferirá o controle aos novos acionistas. Uma ação especial detida por uma sociedade dos sete cofundadores concentrará 50,1% dos votos nas matérias submetidas aos acionistas em geral.

Separadamente, o Long-Term Benefit Trust, criado para preservar a missão de benefício público da empresa, terá, em regra, o poder de eleger e remover a maioria dos integrantes do conselho de administração.

A estrutura mantém a segurança da IA entre os objetivos formais da companhia. A Anthropic também participa do debate regulatório americano: apresentou a parlamentares uma proposta de legislação com exigências de segurança e limites à suspensão de modelos.

O IPO da Anthropic chegará a um mercado mais seletivo. Em relatório divulgado em outubro, a PwC apontou que investidores em novas companhias abertas têm dado maior peso à avaliação, à continuidade do crescimento, à rentabilidade e à diferenciação competitiva.

O preço das ações e o volume da captação, ainda ausentes do prospecto, serão necessários para confrontar essas exigências com os resultados e os compromissos assumidos pela Anthropic.

Foto de arquivo: Dario Amodei no TechCrunch Disrupt, em San Francisco, em 20 de setembro de 2023. Crédito: Kimberly White/Getty Images para TechCrunch, disponibilizada pelo TechCrunch via Wikimedia Commons, sob licença CC BY 2.0. Imagem redimensionada.

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