ChatGPT é usado cada vez mais para design entre brasileiros
Pedidos de criação visual saltaram de 3,5% para 11,2% das mensagens de trabalho enviadas ao ChatGPT no Brasil, mostram dados da OpenAI.

A criação de designs e peças visuais passou de 3,5% para 11,2% das mensagens de trabalho enviadas ao ChatGPT no Brasil entre o primeiro trimestre de 2025 e o terceiro de 2026. Com o salto, a atividade se tornou o segundo uso profissional mais frequente do assistente no país, atrás apenas da edição de textos e documentos (16,4%). Além disso, ultrapassou a produção de material de marketing, que caiu de 10,4% para 8,6% no período.
Os números fazem parte de uma base de dados que a OpenAI divulgou nesta segunda-feira (26). O OpenAI Signals distribui o uso profissional do ChatGPT em 165 atividades de trabalho, trimestre a trimestre, em quase cem países.
Para fazer a classificação, a empresa usa o O*NET, sistema mantido pelo Departamento do Trabalho dos EUA. Ele descreve as tarefas de centenas de ocupações e as agrupa em atividades comuns a várias profissões. A categoria que mais cresceu no Brasil é a de “criar designs ou peças visuais”. A base cobre contas individuais, gratuitas e pagas, e deixa de fora o uso corporativo e o Codex, ferramenta de programação da OpenAI.
Alta acompanha a geração de imagens
O crescimento veio em degraus. A fatia da criação visual dobrou no segundo trimestre de 2025, para 7,7%, recuou até 6,4% no fim daquele ano e voltou a subir em 2026, até 11,4% no segundo trimestre e 11,2% no terceiro.
O primeiro salto coincide com a chegada da geração de imagens ao GPT-4o, no fim de março de 2025. Com isso, o próprio ChatGPT passou a atender pedidos antes feitos em programas especializados. Em agosto, a própria OpenAI apontou a multimídia como o uso do assistente que mais cresce. A empresa, porém, não atribui as oscilações da série a nenhum lançamento específico.
América Latina concentra o uso visual
O avanço não é exclusivo do Brasil. Nos EUA, a criação visual foi de 2,4% para 7,6% das mensagens de trabalho. Entre os 76 países com dados no terceiro trimestre de 2026, a mediana ficou em 7,4%, segundo levantamento deste site com base nos números da OpenAI.
O Brasil aparece em 4º lugar, atrás de Tailândia (13,0%), Argentina (12,1%) e México (11,3%) e à frente de República Dominicana (11,1%) e Peru (11,0%). Onze dos 20 primeiros colocados são latino-americanos. Na outra ponta estão países de renda alta, como Canadá (5,6%), Austrália (5,4%) e Dinamarca (4,9%).
A OpenAI afirma que as diferenças entre países podem refletir o tipo de trabalho feito em cada lugar ou o acesso desigual a ferramentas de IA. Os dados não permitem testar, mas o mapa é compatível com uma hipótese. Em países de renda média, pequenos negócios e profissionais autônomos podem estar usando o ChatGPT para produzir peças que antes exigiriam um designer ou um software pago.
Brasil diversifica o uso do ChatGPT no trabalho
A edição de textos segue na liderança, mas caiu de 20,5% para 16,4% das mensagens de trabalho brasileiras. A programação foi de 6,7% para 2,5%, queda que não autoriza concluir que brasileiros programem menos, já que a base não inclui o Codex. Em sentido oposto, cresceram a orientação sobre temas legais ou regulatórios (de 1,4% para 2,6%) e os cálculos financeiros (de 1,2% para 2,3%).
O movimento brasileiro segue um padrão mundial de diversificação. Nos 74 países com dados em todos os trimestres, as dez atividades mais comuns caíram, em média, de 56,0% para 51,1% das mensagens de trabalho classificadas. Para a OpenAI, isso indica que os países passaram a se especializar em tipos diferentes de trabalho.
O que os dados não dizem
Os percentuais medem a distribuição das mensagens de trabalho, não o volume de pedidos. Uma tarefa pode perder fatia mesmo recebendo mais pedidos, se outras crescerem mais rápido. A diferença importa porque o trabalho perdeu espaço no uso do ChatGPT no Brasil: caiu de 43,1% das mensagens em janeiro de 2025 para 35,5% em setembro de 2026. Medida sobre todas as conversas, a alta da criação visual é menor.
As categorias indicam a tarefa pedida, não a profissão de quem pede. A classificação é feita por modelos de linguagem, sem leitura humana das conversas. Além disso, os números recebem ruído estatístico para proteger a privacidade dos usuários. Por isso, diferenças de décimos, como as que separam Brasil, México e República Dominicana, não bastam para estabelecer uma ordem. A base também não mede a qualidade das respostas, o tempo economizado nem os efeitos sobre emprego e produtividade.
Ainda assim, a série mostra uma mudança de perfil. Para quem usa o ChatGPT no Brasil a trabalho, o assistente deixou de ser sobretudo um revisor de textos: a edição perdeu quatro pontos de participação, enquanto a produção de peças visuais ganhou quase oito.
Fontes: anúncio da OpenAI e dados e metodologia do OpenAI Signals.
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